17 maio, 2008

A fissão dos idiomas.

No mundo globalizado, cada vez mais é necessário que a Palavra divina seja compreendida, sem confusão, na própria linguagem de cada um.
A comunicação fez-se com a gramática de Deus.
A separação dos idiomas, segundo a Bíblia Sagrada, começou com uma construção civil simbólica, e tornou-se um significado a que um significante deu todo o sentido: Babel. Este substantivo, que por si só ultrapassa a simples qualidade do morfema, daria origem à batalha dos idiomas, até hoje.
Só para dar um exemplo actual, é o que se prefigura como quase colapso do inglês em confronto com a língua hispânica, nos Estados Unidos.
Com efeito, na presente campanha para as eleições presidenciais norte--americanas, os candidatos democratas debateram em castelhano pela primeira vez na história dos EUA, tomando em linha de conta a importância dessa língua e que "o Latino é uma nação dentro de outra", segundo o Instituto Cervantes. Assim, fala-se mesmo da "irresistível invasão dos hispânicos", cuja língua já ocupa 12% dos lares norte-americanos. Ora este facto presente tem também implicações na forma, no conteúdo e nos meios usados para a proclamação do Evangelho e dos valores éticos e morais veiculados pela Palavra de Deus naquele país.
No mundo globalizado, cada vez mais é necessário que a Palavra divina seja compreendida, sem confusão, na própria linguagem de cada um.
O SIGNIFICADO DE BABEL
Seguindo as várias pinturas a óleo sobre um painel de Pieter Brueghel, o Velho, a Torre de Babel parece estruturar-se idealmente como um lugar gregário, tipo dos modernos blocos sociais urbanos.
"Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo cume chegue até os céus. Assim nos faremos famosos. Do contrário, seremos dispersados por toda a face da terra" (Idem, I 1,4).
A uniformidade se estabeleceria e tomaria força contra Deus, era a Terra a disputar os Céus, a habitação do homem a demandar a divina. Esta narrativa bíblica é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes, quando Deus multiplicou os idiomas e confundiu os falantes.
Mas enquanto a soberba não subiu do coração aos olhos dos homens pós-diluvianos, 'Todo a terra usava uma só língua e as mesmas palavras." (Ibidem, 11,1.)
O uso de uma só língua, implicava apenas um código. Era uma linguagem única e comum, sendo que Linguagem é qualquer e todo sistema de signos que serve de meio de comunicação de ideias. A dispersão de que fala o livro do Génesis, foi o arrumar lógico dos grupos de falantes pela Terra, porque a soberania e a sabedoria divinas nada deixaram ao sabor do acaso. Deus "confundiu a linguagem de toda a terra e dali os dispersou por toda a superfície dela."(Ibidem, I 1,9)
O conhecido sociólogo Georges Steiner escreveu acerca do confronto entre o que chama a língua do Paraíso, como "um cristal transparente" - que era a língua de Deus - e Babel. "Babel foi uma segunda Queda, tão devastadora, sob certos aspectos, como a primeira" -escreve em "Depois de Babel", (pp. 87 e 88, Relógio d'Água.)
Alguns milénios a seguir - de acordo com a cronologia bíblica -, a comunicação do pensamento cristão e primeira pregação do Evangelho global a um auditório diversificado, fizeram-se, sem dúvida, com o Espírito Santo usando, não a confusão, mas a transculturalidade.
EM LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
"Ouvimos nas nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus", "porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua" (Actos 2:1 1,6 respectivamente).
Havia uma barreira cultural à comunicação do Evangelho, no dia de Pentecostes em Jerusalém. A Língua.
Contudo, a linguagem cristã e evangélica, as grandezas de Deus, foram entendidas pelos ouvintes que ficaram aptos a perguntar, compungidos, "que faremos varões irmãos?", para isto a barreira da língua teve que ser ultrapassada. Da centralidade de Jerusalém partiu para as margens a Palavra da Cruz, através das várias línguas contemporâneas dos Apóstolos.
A comunicação fez-se com a gramática de Deus, na medida em que a operação linguística era da área do sobrenatural - o derramamento do Espírito Santo e o falar em línguas Pentecostal -, não foram necessários tradutores para as línguas maternas dos ouvintes: partos, medos, elamitas, árabes, romanos, cretenses, gregos etc, pertencentes ao que hoje se chama de grupos das línguas afro-asiáticas e indo-europeias ocidentais.
A exactidão da mensagem foi clara e a sua contextualização integrou a história monarca do VT e o Evangelho de Jesus Cristo, "as grandezas de Deus" que atravessaram a história bíblica de Israel, com certeza desde Abraão até ao Pentecostes. Neste dia, a glossografia teve um sentido especial, as chamadas "línguas estranhas" foram inteligíveis, prepararam o caminho e os corações para a pronto--pregação evangelista do apóstolo Pedro. A comunicação no dia de Pentecostes em várias línguas, perante o primeiro paradigma de uma globalização, não colocou em causa a identidade de cada uma das nações ali representadas, nem a identidade da Mensagem.
Babel, como alguém escreveu, "resultou em profunda alienação no nível mais pessoal da comunicação, a linguagem". O Pentecostes, que mudou o paradigma da pregação, mudou também a linguagem. A norma indicava que seria doravante através da inspiração do Espírito Santo de Deus que se proclamaria a Verdade do Evangelho. Na diversidade das línguas comunicou, numa mesma linguagem celestial, a Redenção do Homem. E a Unidade dos crentes em Jesus Cristo como Igreja.

Autor do Artigo :
João Tomaz Parreira

1 comentário:

Presbº Jorge Wilson N. Neves disse...

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